A Guerra da Rússia contra a Ucrânia resultou em um impacto importante não apenas para as empresas estabelecidas nos dois países, mas também aquelas que possuem negócios recorrentes com organizações russas. Isso porque uma das técnicas utilizadas para tentar impor à Rússia a cessação do conflito foram embargos econômicos aplicados – principalmente – pelos Estados Unidos e países europeus, todos importantes players mundiais. O agronegócio brasileiro sofreu um impacto relevante em razão da guerra. Principalmente porque é dependente do mercado de fertilizantes produzidos na Rússia.
Para as empresas aderentes a controles de ESG (environmental, social and governance) o principal risco de gestão é o comportamento que organizações russas podem passar a ter visando o aumento de sua lucratividade. Sendo a Rússia um país já classificado como de alto risco, os entraves econômicos podem levar organizações russas a adotarem posturas antiéticas, como pagar subornos para tentar mitigar os impactos dos embargos econômicos.
Empresas do agronegócio brasileiro que possuem mecanismos de ESG – principalmente aquelas que estão sob a exigência de manter controles de cadeia de fornecimento por força contratual – vão precisar ter atenção redobrada para o engajamento de seus parceiros e fornecedores russos. Uma das principais ferramentas de controle desse risco é a realização de uma devida diligência prévia ao engajamento de fornecedores russos. Por meio desse exercício é possível avaliar o grau de integridade da empresa fornecedora e, havendo algum ponto de preocupação, estabelecer ações de mitigação que possam evitar qualquer consequência nociva à contratante ou mesmo assegurar as eventuais perdas decorrentes delas.
Para as organizações que já possuem controle de contratação com devida diligência, a recomendação é a sua intensificação, com monitoramento mais constante e profundo. Esse esforço tornará a operação mais controlada e transparente, possibilitando o cumprimento dos standards de ESG a que a organização está submetida.

Anna Carolina Faraco Lamy é advogada especialista em ESG e Compliance, Doutora pela Universidade Federal do Panará e Mestre pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Para acesso à íntegra da 8ª Edição da Revista RDM Agro Brasil, de Março de 2022, clique aqui.